segunda-feira, 22 de julho de 2013

APOIAR O MOVIMENTO PASSE LIVRE É NECESSIDADE


Queremos um Brasil com igualdade e respeitando sua população, precisamos garimpar políticos que não sejam pedras brutas, que pensem com melhor condução e energia - ouro. Precisamos refletir e muito sobre esse momento... sou um revolucionário aposentado, estava triste com meu Brasil, mas agora a sociedade com suas diversas tribos, caras pintadas, nerd's, punk's, anarquistas, pagodeiros, funkeiros, facebookeiros, trabalhadores, estudantes, aposentados, enfim todos os chamados brasileiros que levam no sangue a mistura das três etnias, externam suas convicções e sonhos... UM PAÍS MAIS JUSTO E QUE FUNCIONE PARA AS CLASSES D,C,B, E NÃO SÓ PARA A. 

"A MISERABILIDADE PRECISA SER EXTINTA NA ZONA RURAL E URBANA"
                                                                                                     Paulo Moreira




CAPOEIRA, EDUCAÇÃO E A DIALÉTICA DE HEGEL: TRADIÇÃO OU CONTRADIÇÃO NOS ESPAÇOS DO CONHECIMENTO?

Paulo Gonçalves Moreira Júnior

RESUMO

Essa produção fomenta uma reflexão sobre os impactos da inserção da capoeira no processo educativo institucional, e suas possíveis consequências para o século XXI.
É o início de uma reflexão relevante, pois decifrará uma “fusão” complexa entre a capoeira, as universidades, as unidades educacionais e outros espaços do conhecimento a partir de princípios articulares.
O que será que está se trabalhando, se explorando, se pesquisando com os alunos e participantes neste processo educacional?
Quais às consequências poderão trazer para esta geração, se ficarem constatados equívocos e contradições nesse contexto?
A interferência da capoeira nos espaços do conhecimento, com suas tradições e possíveis contradições, será o objeto a ser contextualizado.

Palavras-chave: Educação. Capoeira. Cultura. Educação Física.


ABSTRACT

This production promotes a reflection on the impact of inclusion of poultry in institutional educational process and its possible consequences for the XXI century.
It is the beginning of a reflection relevant because decipher a "fusion" between the poultry complex, universities, educational facilities and other areas of knowledge from joint principles.
I wonder what is working, is exploring if researching with students and participants in the educational process?
What the consequences may bring to this generation, if they become noted misconceptions and contradictions in this context?
Interference of poultry in areas of knowledge, with its traditions and possible contradictions, will be the object to be contextualized.

Keywords: Education. Capoeira. Culture. Physical Education.


2013

CAPOEIRA, EDUCAÇÃO E A DIALÉTICA DE HEGEL: TRADIÇÃO OU CONTRADIÇÃO NOS ESPAÇOS DO CONHECIMENTO?


Paulo Gonçalves Moreira Júnior

Mestrando em Educação – Universidad del Salvador, Especialista em Esporte Escolar – UnB, Licenciado em Educação Física – UFBA. paulopalmares@ig.com.br; rede.palmares@outlook.com


INTRODUÇÃO A CAPOEIRA


O vocábulo capoeira foi registrado pela primeira vez em 1712, por Raphael Bluteau (vocabulário português e Latino, Coimbra. No colégio das Artes da Companhia de Jesus, vol. II, pág. 129), seguido por Moraes em 1813, na segunda e última edição que deu em vida de sua obra (Antônio de Moraes Silva, Diccionário da Língua Portugueza. Lisboa, Typografia Lacerdina, tomo primeiro pág, 343). No ano de 1865, na primeira edição de Iracema, José de Alencar realiza a primeira proposição deste termo, repetindo, em 1870, em O Gaúcho. Rêgo, Waldeloir (1968).
Não se pode provar cientificamente a origem da capoeira, quem a criou, nem a data precisa, pois não existe documentos nem registros sobre essa temática. Provavelmente a capoeira nasce da fusão das três etnias que constituíram a população brasileira, devido a comprovação de alguns fatos históricos, sendo a contribuição da etnia negra, a mais significativa. Como nos revela Rêgo, W. (1969)

No caso da capoeira, tudo leva a crer seja uma invenção dos africanos no Brasil, desenvolvida por seus descendentes afro-brasileiros, tendo em vista uma série de fatores colhidos em documentos e sobretudo no convívio e diálogo constante com os capoeiristas atuais e antigos, que ainda vivem na Bahia, embora em sua maioria, não pratique mais a capoeira, devido à idade já avançada.

Em menor proporção houve a influência da etnia indígena, entre os exemplos documentados existe um muito expressivo, que é o da etimologia (estudo, significado e origem) da nomenclatura capoeira.
A língua indígena tupi-guarani definiu a capoeira como mato rasteiro, também gaiola que criava-se capões. Existem alguns significados registrados nos seguintes dicionários:

  • Melhoramentos (tupi caá-puêra) mato ralo de pequeno porte, que nasceu da derrubada das mata virgens. 2. jogo atlético de ataque e defesa.
  • Caldas Aulete (tupi-guarani) (…) jogo atlético. Outras palavras na língua tupi são: Caá-paun mata isolada. Caapora entre os índios, homem do mato.
  • Michaelis Moderno (tupi Kopuéra, o que já foi roça) jogo atlético tradicional no Brasil...
Em seguida a influência da etnia branca, entre os exemplos destaca-se a introdução do instrumento musical que compõe a bateria musical da capoeira, chamado de pandeiro, nos revela o escritor Rêgo, W. (1969).
Toda essa representatividade cultural influenciou na construção de saberes diferenciados, no qual, se alinham na formação dessa expressão popular afro-brasileira, como nos relata Areias A. (1984).

Mas, afinal de contas, o que é capoeira? É luta? Dança? Briga? Defesa pessoal? Esporte? Cultura? Arte? Folclore? Capoeira é isso tudo e muito mais! Capoeira é música, poesia, festa, brincadeira, diversão e, acima de tudo, uma forma de luta, manifestação e expressão do povo, do oprimido e do homem em geral em busca da sobrevivência, liberdade e dignidade.

Historicamente, a capoeira e outras manifestações socioculturais que resistiram ao tempo e as transformações, representam para a civilização brasileira e mundial, símbolos que agregam uma complexidade extraordinária, proporcionando possível contribuição na construção do processo educacional, e por esta razão necessita de estudos científicos constantes.


A EDUCAÇÃO E AS RELAÇÕES COM A CAPOEIRA


O século XXI, é o seculo da sociedade do conhecimento, e devido ao avanço das tecnologias, ocorrem mudanças frequentes no conhecimento. Sendo assim o processo educacional precisa ser repensado através de uma visão de totalidade, e não parcialmente.
Relata Hegel, G. (1992) através de sua célebre frase: ao ver a árvore pode se perder de vista a floresta. “O verdadeiro é o todo”.
É necessário um entendimento mais profundo sobre a visão da totalidade como cita Nildo, V. (2002)

Do ponto de vista metodológico, a totalidade é fundamental porque não é possível compreender as partes sem uma visão do todo. (...) Enfim, sem uma visão do todo se vê apenas partes isoladas e ideologicamente “explicadas”. Não é preciso dizer que isto não só é uma necessidade teórica como também prática. A resolução de problemas sociais, ambientais, entre outros, requer sua compreensão, e, portanto, a visão da totalidade.

A visão parcelar da realidade, principalmente quando provoca o isolamento de suas partes, produz não somente ideias falsas, mas práticas equivocadas. Por isso, a categoria de totalidade assume importância fundamental.

O pensamento de Hegel, permite um olhar mais profundo no processo de ensino-aprendizagem, no qual, percebe-se os símbolos e valores existentes em todos os espaços do conhecimento.
Além do locais onde ocorrem o ensino formal (ensino fundamental I e II, ensino médio e ensino superior), o processo de ensino-aprendizagem da capoeira é tratado por alguns dos novos espaços do conhecimento. Segundo Dowbor, L. (2008) os novos espaços do conhecimento são:

  • Espaço do setor empresarial moderno – educação para seu desenvolvimento.
  • Espaço da televisão e das mídias gerais reorientadas – programas educacionais e vídeos autônomos.
  • Espaços dos cursos técnicos especializados – inúmeras novas tecnologias.
  • Espaço científico domiciliar – ergonomia do trabalho intelectual.
  • Espaço do conhecimento comunitário – organização dos espaços comuns dos próprios locais.
  • Espaço de pesquisa e desenvolvimento - progresso científico generalizado.

Alguns estudos já comprovam que esses espaços são produtores de conhecimento e de cultura, as manifestações da sociedade que acontecem em muitos ambientes, demonstram a exposição do saber e das tradições expressivas.
Na atualidade a demonstração é real, como percebemos através dos exemplos de Abib (2005). Percebemos na programação televisiva, na produção cinematográfica, na mídia impressa, na produção musical, entre outras instâncias, um número cada vez maior de aparições de grupos culturais tradicionais, através de reportagens especiais, documentários, shows, apresentações, lançamentos de cds, etc.
E se essas exposições das tradições culturais e ações das organizações educacionais, não seguirem um contexto, no qual, os conhecimentos específicos da capoeira, ou de outros conhecimentos específicos, não forem respeitados, podem afetar, historicamente, a geração futura, seu processo educacional, e de entendimento dos fatos. Modificando assim, tradições culturais e dos saberes existentes, como percebemos nesta citação de Larrosa, J. (1995).

(...) un hacer que afeta a algo, un afectar, es justamente la definición foucaultiana del poder. El poder es una acción sobre acciones posibles. Una acción que modifica las acciones posibles estableciendo com ellas una superficie.

Nesta citação percebe-se que existe uma relação expressiva de poder, e este poder interfere no cotidiano da sociedade, quando consegue estabelecer-se através de suas ações, restabelecendo assim suas dominações.
Neste contexto, a influência do poder das organizações educacionais, interfere indireta ou diretamente na capoeira, que historicamente, sempre foi uma expressão e representação da cultura popular.
Além das influência do processo educativo, percebe-se outras conjunturas que também interferem na cultura popular, hoje, cultura globalizada.
Analisar a cultura popular, sob o prisma de sua inserção nas sociedades globalizadas, implica em considerar as discussões sobre cultura de massa e o papel da mídia e da indústria cultural nesse processo. Abib (2005).
As implicações são expressivas pois interferem, pelas relações de poder, seja elas quais forem, nos objetos tradicionais como a capoeira, por exemplo. Teoricamente, ou no campo das ideias e dos poderes, os objetos da cultura, dito tradições e de expressiva notoriedade, pode ser afetada por circunstâncias evidentes, através de ações, e ações de poder, aplicadas sem coerência, sem ética e sem um apropriamento do saber específico.
Esse saber específico durante um largo período de tempo, é que legitimará sua apropriação.
Por que será que hoje existe uma discussão sobre o valor que tem os grandes mestres da cultura? Entende-se como mestres da cultura e da cultura popular, os homens e as mulheres que expressam através de suas vidas, largo conhecimento nas diversas áreas culturais, filosóficas, artísticas, etc. Alguns exemplos são os líderes religiosos, mestres de capoeira, artesãos, artistas, escritores, etc.
É simplesmente a comprovação de que possuem um potencial enorme de conhecimentos e saberes, sendo reconhecidos pela sociedade e meio acadêmico, pois existe “lastro de conhecimento” para isso. E suas histórias de vida são contempladas com diversos títulos de doutor honoris causa, que são transmitidos pelas universidades e seus conselhos acadêmicos.
Essas informações, demonstram, comprovam e registram evidências da necessidade de inserção destes “doutores da cultura”, na interferência direta nos meios e espaços do conhecimento, pois são os legítimos detentores desses saberes específicos, e não são em poucos anos que se chega a esse patamar, são décadas de atuação reconhecida.
Transportando para as tradições da capoeira, durante décadas, os antigos mestres de capoeira aprimoram os conhecimentos de seus discípulos, por isso a frase “Só o tempo é que lhe faz mestre”. O tempo é essencial para aquisição e entendimento desses saberes, é necessário o amadurecimento da personalidade para que se fundamente esses princípios complexos.
Sintetizo utilizando uma frase, de nossa autoria, na disciplina: Procesos de aprendizaje em la edad adulta, do mestrado em educação da USAL – Arg.
La maturidad si revela em el caos, donde la sensibilidad y el equilibrio, si manifestan”.
Ser adulto não quer dizer que se é maduro, que psicologicamente esta agindo menos equivocado. É essa madurez que nos retrata Garrido (1989)

Dicen que un día le preguntaron a Sigmund Freud cuándo una persona es psicológicamente madura y que respondió: "El hombre maduro ama y trabaja en libertad".

La frase de Freud resulta psicológicamente clarificadora, porque sitúa ambos polos, dinámicamente en la libertad. No basta tener un mundo afectivo para ser maduro. Lo que cuenta es la calidad del amor, que depende del grado de libertad interior con que se viven las relaciones interpersonales. No basta ser eficaz. Nuestra sociedad produce mucha gente activa y ansiosa que huye, mediante el trabajo, de sus conflictos latentes.

Esse tempo e as inter-relações do modo de vida das pessoas é que traduziram uma personalidade mais madura, e neste sentido é que para ser um líder ou assumir certos cargos e funções na sociedade, precisa-se de certo conhecimento e maturidade para por em prática essas ações.
Se faz necessário estabelecer critérios que diferenciam as ações da criança das ações de um adulto. Por isso o tempo é que tornará essa criança um ser adulto, e esse ser adulto consciente, autônomo, crítico e criativo.
As representações dos símbolos são diferentes, o olhar geral e específico das situações do cotidiano são expressados de formas diferentes. O melhor entendimento do micro e do macro, são proporcionais aos níveis de evolução da personalidade de cada ser humano em seu meio social.
Cabo P. (2000) relata que:

Las personas adultas están inmersas em un proceso de produción social y cultural que configura una determinada situación histórica y un contexto, com unas condiciones objetivas dentro de las cuales se forma y se ordena la vida social. Estas condiciones tienen relación com la forma de pensar, com el sistema de representación de creencias y com las formas de consciência.

Os pensamentos e ações das pessoas é político, é cheio de intenções, nos meios educacionais ou não, expressa Paulo Freire, (1988).
As ações equivocadas parecem que se proliferam nas diversas camadas sociais e nos diversos setores da sociedade, como denuncia Accurso, A .(1995)

(…) Surgem trabalhos, palestras, seminários, onde os diplomados adquirem reconhecimento, dentro dos padrões dominantes, assumindo, desse modo, cargos e funções em instituições públicas e federações, dominando e dirigindo a capoeira.

A escola de educação física e as federações vêm acrescentando novas formas e interpretações na capoeira, adulterando-a, assim como a sua mensagem, sua identidade.

Esse autor já percebe e transmite através de seu livro que algo estava acontecendo de equivocado na relação entre a capoeira e a educação, os “atores” do processo estavam interferindo muito nos saberes da matriz do que se conhece da arte luta.
Nesta outra citação, Acurso (1995) revela as relações interpessoais desse instrumento de educação

Outro aspecto importante do emprego da capoeira como instrumento de educação, se refere à sua prática e ao seu contexto. (…) Em seu meio social não interessam os valores da sociedade, pois no jogo da capoeira as relações das pessoas se sobrepõem às relações sociais, (…).

A capoeira, por representar uma cultura de resistência, com sua história, com sua linguagem própria, é sem dúvida um instrumento precioso para a conscientização de mudanças sociais.

As investigações e estudos dessa tese, mesmo que indiretamente, propiciarão aos próximos trabalhos, nesta perspectiva, a superação por outros pesquisadores, e de certa maneira a construção de novas sínteses.


CAPOEIRA, CULTURA E EDUCAÇÃO


Ao decorrer de sua história, a capoeira foi praticada em diversos locais e contextos diferenciados, desde a senzala até as universidades. No início existia uma função principal de resistência, para em seguida se tornar mais educativa, com o conhecimento perpassando através das matrizes que formaram a cultural brasileira.
Nos relata Silva, G. (2008)

Desde esse momento mais remoto da história da capoeira no Brasil, podemos observar a transmissão de elementos culturais da geração mais velha para as gerações mais novas. Já existia ali, portanto, um processo e uma ação educativa de teor altamente transformador.


A capoeira vem colaborando de forma educativa seja em seu próprio círculo de atuação, como também inserida nos diversos espaços do conhecimento principalmente no Brasil, que há algumas décadas já é observado este fenômeno, de fusão da capoeira com as unidades educacionais.
Para Silva, Gladson (2008) ao longo de muitos anos de trabalho acredita nesta premissa “educar por meio dos fundamentos da capoeira”. Seja na escola, na academia, no clube, na universidade (…) sempre acontece como instrumento de educação.

Desde 1960, a capoeira tem adentrado as portas das escolas, fazendo parte de uma instituição que, juntamente coma família, tem papel central no processo educativo de crianças e jovens. Nos últimos anos, a inserção da capoeira nas escolas tem sido um processo bastante significativo nas principais regiões do Brasil. Da mesma forma, nos diversos países em que a capoeira se faz presente, observa-se processo semelhante.

Para Penha, V. (2010) ao lançarmos a questão sobre as mudanças que a Capoeira teria ao entrar no ambiente escolar estávamos pautados na crença de que seu processo de produção de conhecimento fora da escola acontecia de uma maneira diferente do processo de produção de conhecimento dentro do ambiente escolar e, por isso, acreditávamos que, ao chegar à escola, a Capoeira passaria por mudanças.
Mas percebe-se que esta afirmação pode ser ou não coerente com as diversas unidades educacionais e seus atores.
A capoeira, segundo o Ministério da Cultura do Brasil, através do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, na certidão de registro da roda de capoeira como patrimônio cultural brasileiro, em 20 de novembro de 2008, descreve a capoeira como uma manifestação cultural presente hoje em todo território brasileiro e em mais de 150 países, com variações regionais e locais criadas a partir de suas “modalidades” mais conhecidas: as chamadas “capoeira angola” e “capoeira regional”. O conhecimento produzido para a instrução do processo permitiu identificar os principais aspectos que constituem a capoeira, como prática cultural desenvolvida no Brasil: o saber transmitidos pelos mestres formados na tradição da capoeira e como tal reconhecidos por seus pares.
Neste breve relato percebe-se a dimensão da capoeira, desde o seu surgimento e desenvolvimento nos prováveis lugares: senzalas, quilombos, plantações da era colonial, praças, ruas, mercados e portos do Brasil colônia.
Para em seguida, sistematizar-se nos espaços fechados e limitados das chamadas academias ou centros de capoeira pelos bairros centrais e periféricos da primeira capital do Brasil e seu arredores, chamado de Recôncavo Baiano.
Em um segundo período, avança pelas capitais que possuíam portos, e no terceiro período emigra para dezenas de países pelo mundo.
A capoeira é complexa e símbolo expressivo da cultura brasileira, por isso exerce fascínio e admiração. Mas não foi sempre assim, em outubro de 1890, o decreto nº 487, proibia a capoeira e determinava pena de 2 a 6 meses.
A admiração e um sentimento nacionalista, leva o Estado brasileiro, a partir de 1930, a impulsionar a trajetória da capoeira, permitindo-lhe maior visibilidade.
E na educação, como está ocorrendo a apropriação dos saberes e desse conhecimento específico que é a capoeira? Como esta ocorrendo a relação desse conhecimento com a sociedade?
As respostas surgirão com o aprofundamento das investigações e dos estudos que serão realizados, que possivelmente identificarão as nuances entre a educação e a capoeira, e as interferências dos chamados espaços do conhecimento.
A capoeira é disciplina do currículo das universidades de educação física do Brasil, também esta inserida nos estabelecimento de ensino privado e público, nas mídias, e em outros diversos segmentos do processo educativo.
Para Falcão (1995) a inclusão da capoeira nas instituições de ensino representa uma situação inusitada. Pois no passado era passiva de penalidade no código penal brasileiro.
Quais os princípios e tradições culturais da capoeira precisam ser conservadas para que não ocorra a descaracterização dessa arte luta?
Para Cruz, José (2003) ninguém é dono da verdade absoluta. A capoeira sofre um processo de criação constante e cabe a nós, mestres, extrairmos o que existe de melhor dentro das diversas formas de ensino. Procurando enriquecer cada vez mais a nossa arte, (…) eliminando todos os movimentos estranhos ás nossas raízes, que descaracterizam nossa arte, acrescentando e conservando os que estiverem de acordo com as nossas tradições (...).
O próprio tempo, em que a pessoa se desenvolve é extremamente importante, devido a seu amadurecimento como conhecedor da arte luta complexa como é a capoeira.
Segundo a argentina Dominguéz, María (2010) na interpretação de muitos mestres a ampliação do mercado de trabalho trouxe prejuízos para a capoeira, com a busca de um aprendizado imediato e no encurtamento do período como aluno, que quer começar a dar aula o mais rápido possível, trazendo um afastamento das tradições da arte.
O tempo é importantíssimo para compreensão da capoeira, mesmo um artista plástico, desenhista expressando suas criações necessita de conhecimento aprofundado e um resgate as tradições como vemos em algumas construções artísticas desde 1960, como relata Oliveira, J. (2009)

(…) os mágicos traços de Carybé sobre a capoeira baiana. A partir de então, as gravuras do artista plástico argentino radicado na Bahia, saltaram das telas para ocupar as estampas no universo da capoeira, seja na literatura, nas camisetas ou nas ilustrações dos espaços onde se desenvolvem ainda hoje as atividades da capoeira.

A capoeira parece ter papel fundamental na construção do saber no processo educacional, pela sua expressividade.
Afirma Abib, (1995) Os códigos de valores presentes nos nossos processos educativos, envolvendo a cultura popular, se diferenciam substancialmente daqueles privilegiados num processo formal de educação (…)


DIALÉTICA E CONSIDERAÇÕES FINAIS


Para avançarmos nas reflexões do processo de ensino-aprendizagem, far-se-á necessário o confrontamento entre as tradições e saberes existentes comprovados, com prováveis mudanças exercidas ao longo da história, para uma também provável superação gerando um novo saber ou confirmando os tradicionais como mais viáveis no contexto atual.
Segundo Lakatos, E. (1993), o método dialético fundamenta-se na proposta, em que as contradições se transcendem dando origem a novas contradições que passam a requerer solução.
É um método de interpretação dinâmica e totalizante da realidade e considera que os fatos não podem ser considerados fora de um contexto social, político, econômico, etc.
O método dialético de Hegel consiste primeiramente na escolha de um saber, uma verdade, uma tese no qual é colocada em evidência, para em seguida ocorrer a exposição de saberes opostos, surgindo assim a antítese, dessa verificação surge uma nova síntese ou outra tese, que em um movimento cíclico e não estático, pode ser exposta novamente a outros saberes ocorrendo outras sínteses.
Essa movimentação tese → antítese → síntese (nova tese) será o “caminho” para ser percorrido na verificação dos conteúdos dos programas educacionais, programas universitários e outras situações coletadas nos novos espaços do conhecimento, que utilizem esse saber complexo, que é a capoeira com suas vertentes e nuances.
Para comprovação das tradições da capoeira, na aplicabilidade intra-disciplinar no processo educativo dos espaços do conhecimento, será necessário observar a contribuição de Gil, A. (2006), na identificação de alguns princípios comuns da dialética:

  • Princípio da unidade e da luta dos contrários (unidade dos opostos) – os fenômenos apresentam aspectos contraditórios, que são organicamente unidos e constituem a indissolúvel unidade dos opostos. Os opostos não se apresentam simplesmente lado a lado, mas em estado constante de luta entre si. A luta dos opostos constitui a fonte do desenvolvimento da realidade.
  • Princípio da transformação das mudanças quantitativas em qualitativas. Quantidade e qualidade são características imanentes (inerentes) a todos os objetos e fenômenos, e estão inter-relacionados. No processo de desenvolvimento, as mudanças quantitativas graduais geram mudanças qualitativas e essa transformação opera-se em saltos.
  • Princípio da negação da negação (mudança dialética) - O desenvolvimento processa-se em espiral, isto é, suas fases repetem-se, mas em nível superior. A mudança nega o resultado e o resultado, por sua vez, é negado, mas essa segunda negação conduz a um desenvolvimento e não a um retorno ao que era antes.

Através desta perspectiva dialética, é que ocorre o confronto das teses atuais com as teses tradicionais, nos diversos setores simbólicos da capoeira enquanto instrumento educativo, nas unidades educacionais.
Essas informações, propiciam respostas variadas, sintetizadas com um novo saber, permitindo averiguar se ocorre contradições expressivas ou algo não relevante, no processo de ensino-aprendizagem, dos atores envolvidos com a capoeira do século XXI.

BIBLIOGRAFIA

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