A especialização precoce é o
atropelamento de fases importantes na aprendizagem - principalmente da criança,
do pré-adolescente, e do adolescente que precisam vivenciar a diversidade de
ações e situações no decorrer de suas vidas. É neste momento histórico que a
formação de valores, o registro histórico, a tomada de atitude e a construção
da personalidade são marcantes e fundamentais para o desenvolvimento de
um adulto mais consciente da realidade que está inserido e de sua capacidade de
atuação.
O desenvolvimento e expansão de seu
potencial se constroe passo a passo, e é de suma importancia na formação da
personalidade dos jovens. A construção dessas experimentações é que
possibilitarão esse aprendizado, servindo como facilitador do processo psicossomático.
Deve-se superar as atitudes que
visem um especializar precoce nos desportos, propiciando de imediato o esporte
completo, e com isso uma hiper-valorização pelo melhoramento da técnica específica e pela força... buscando a
vitória, o ganhar a qualquer “preço”. É a tradução da competição exacerbada,
"queimando" fases anteriores, com respectivos conteúdos relativos à faixa etária
e desenvolvimentos psíquicos, primordiais para escalada rumo a uma escolha ou
não por uma atividade esportiva ou jogo em si.
A responsabilidade do profissional
que interage neste processo de ensino-aprendizagem é fundamental,
pois tem que permitir através de uma variedade de ações o desenvolvimento da psicomotricidade,
da habilidade, da coordenação, do raciocínio rápido, da resolução de situações e das
capacidades e problemáticas que envolvam os atores nas aulas da escola e nas
aulas da vida. Contribuindo assim de forma adequada, consciente e com
responsabilidade, atuando com ética e compromisso de um fazer com perspectivas
de mudança – para melhor, de um novo amanhã, sem “mutilações” do saber, oportunizando
o experiênciar, para permitir um decidir com coerência e fundamentação.
A prática
pedagógica deve evitar a precocidade na iniciação esportiva e na técnica especializada de cada desporto coletivo ou individual.
Por outro lado proporcionar jogos pré-desportivos, jogos cooperativos e jogos
– brincadeiras da cultura popular, que facilitam a complexidade do processo de
desenvolvimento do repertório motor das crianças/adolescentes, que precisam
vivenciar com liberdade, sem direcionamento opressor e diretivo do que fazer e
como fazer no jogo esportivo, para mais adiante saber como decidir e o que fazer no jogo real da
vida. Texto do Prof. Paulo Gonçalves Moreira Júnior. Em 2006. Adaptado da Esp. UnB.
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